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Daniel Stopa : Resgate da marcenaria tradicional

Fizemos uma entrevista com Daniel Stopa (proprietário do Casa Stopa – há 10 anos no mercado ), abordando questões da sua carreira, as evoluções tecnológicas da marcenaria, dicas de utilização da madeira certa para cada local, sustentabilidade e sobre o resgate dos valores da marcenaria tradicional.
Confira abaixo e aproveite as dicas valiosas de quem entende muito deste segmento.

Como surgiu o interesse pela marcenaria em sua vida ?
Minha família é fortemente ligada a área da educação. Eu sou formado em pedagogia.
Meu contato com a marcenaria surgiu através de meu avô e tio-avô que tinham uma oficina completa em casa. Na minha infância eles já eram aposentados e, eu por problemas de saúde, não conseguia brincar com os outros meninos. Desde os meus 7 anos o meu passatempo era fazer brinquedos de madeira para as outras crianças. Na época nossa especialidade eram os carrinhos de rolimã, arco e flecha e estilingue.

Quais são as evoluções tecnológicas (do seu ponto de vista) que mais beneficiaram a marcenaria ao longo dos anos ?
Na minha opinião os maiores avanços da marcenaria também estão para as grandes perdas de técnicas, e por que não dizer estéticas, que o ofício construiu durante milênios.
Digo porque hoje o marceneiro hoje virou sinônimo de montador de móveis.
Há 60 anos o profissional precisava cortar a árvore a ser trabalhada, trabalhar no processo de secagem da madeira e do desdobro. Há 40 anos popularizou-se o compensado o trabalho então passou a ser esquadrejar, revestir e montar. Hoje todo o material (MDF) vem pronto para a montagem, cortado, limpo e fitado e entregue na casa do cliente apenas para montar. Resumindo o processo produtivo ficou muito mais fácil, acessível, rápido e barato. Estes são os grandes benefícios mas são também as maiores perdas de técnicas e estéticas do meu ponto de vista.

Como o design dos móveis que fabrica é elaborado ?
Há alguém que te inspira ?

Normalmente crio para suprir a necessidade do aluno ou cliente. A criação é o que me move. Não há nada mais chato que fazer algo que todo mundo já faça. A ideia é : já que vamos fazer, vamos criar, ou já que vamos criar, vamos criar!
Sempre imagino que a peça criada leva mais do que o meu nome para a casa do cliente. Ela deve levar junto tudo que acredito : uma boa relação entre leveza, força e sustentabilidade dos materiais, o respeito a madeira, durabilidade e a beleza sempre! Isso é o que eu quero para tudo que faço.

Sem dúvida o design brasileiro é riquíssimo em influências. Em 2005 comecei inspirado no Estúdio Baraúna (devido as técnicas artesanais de manuseio das madeiras e ao design). Também tenho como influências grandes colegas : Danilo Costillas (gênio), Carlos Motta (espetacular), a Moble e os cariocas da Ethos.
Não posso deixar de referenciar grandes tendências contemporâneas como : Sérgio Rodrigues e Lina Bobardi.
Também tenho referências em outras culturas : o design escandinavo é intrinsecamente moderno e desafiador, os norte-americanos dominam as técnicas como ninguém, os japoneses são virtuosos nos sistemas de encaixes e junções, os alemães, italianos e franceses tem uma marcenaria fina e de uma precisão absurda.

Quais características não podem faltar na hora de projetar um móvel ?
Beleza e funcionalidade – existe para ser usado mas tem a obrigação de ser belo.

Quais equipamentos não podem faltar na bancada de um marceneiro iniciante ?
Acredito que os materiais devem ser adquiridos conforme a necessidade e de acordo com o projeto que se pretende iniciar. Tendo isto mente fica muito fácil fazer a aquisição (sabendo onde e quando aplicar).
Dependendo do que foi proposto pode-se utilizar :
* ferramentas como o martelo, martelo de borracha, conjunto de chaves de fenda e philips, esquadros, serras e serrotes, jogo de formões, limas grosas, plaina, alicates.
* elétricas: furadeira, parafusadeira, lixadeira, serra tico-tico, tupia laminadora.

Quais são as madeiras que mais utiliza (demolição / reflorestamento / compensado/ aglomerado / mdf /mdp ) ? Qual o motivo ?
Por ter um trabalho bem conceituado e conhecido com a produção em compensado naval e Formica® esses são os materiais que mais usamos em nossa marcenaria. Na escola os alunos optam em fazer móveis esteticamente similares aos que já produzimos mas tenho paixão pessoal pela marcenaria fina e o trabalho com madeira maciça.

Poderia nos dar dicas de utilização de cada madeira ?
Armários de dormitórios e closets : MDF/MDP é a solução imbatível por enquanto;
Gabinetes de banheiro e cozinha : compensado com Formica® – pela resistência e recurso de design;
Mobiliário em geral (mesas, cadeiras, aparadores, bancos, cristaleiras etc) : madeira maciça ou compensado com Formica® são imbatíveis;

O que é feito hoje pensando em sustentabilidade ?
O que nos preocupa é o excesso de resíduo que geramos. Acredito que o ponto chave é a preocupação com a origem dos materiais e este é um ponto presente e fundamental em nosso curso.

Há incentivo em usar sobras ? Como é feita a seleção de produtos a serem usados ?
Temos uma grande linha de produtos feitos com sobra, no entanto a ideia é que a nobreza do material seja exaltada e não o fato de ele ser feito de sobra. Não quero que ninguém olhe uma peça minha e diga : “-olha essa peça feita de sobra.”
prefiro:
“-este aparador é lindo” , então eu digo:
“- foi feito com sobras.”
a conotação é outra entende?
A sobra quase sempre é nobre e pode gerar outros produtos. Se é nobre e tem potencial de gerar nobres produtos devemos usar nossa capacidade para tal.

Como se dá a escolha dos laminados ? Porque a utilização da Formica® ?
Trabalhamos bastante com Formica® e compensado naval porque é uma solução espetacular para produção de móveis lindos, com ótima resistência e uma gama de cores riquíssima, fora a versatilidade de uso. Quando preciso pensar em cores bonitas e que se encaixariam bem em algum espaço eu já vou direto no mostruário da Formica®.

Que conselho daria a quem está começando no ramo da marcenaria hoje ?
Aconselho estudar, estudar e estudar. Amar o que se faz, ser honesto e não admitir fazer algo sem qualidade e que fira pessoas ou o planeta em seu processo de produção.
Foque no que você faz melhor! Não faça tudo, faça o que você quer fazer cada vez melhor. O marceneiro corre o risco de fazer consertos, reparos, instalar portas, fazer armários, aparadores, caixinhas. É interessante ter várias habilidades mas o ideal é focar em algo e ser reconhecido pelo que você faz bem.

Como nasceu a StopaLab ? Onde fica o espaço ? Quais eram suas pretensões inicialmente ?
Nós tivemos por um tempo uma loja na Vila Madalena. Minha ideia inicial era vender o mobiliário que eu criava mas houve uma enorme procura por cursos de marcenaria em nossa loja ( mesmo não sendo algo que eu oferecia na época). Surgiu então a ideia de unir minha formação com a paixão pela marcenaria.
No final de 2016 conheci o Instituto de Engenharia/ Carambola que precisavam de alguém para organizar o espaço maker e fazer a conexão da tecnologia com a marcenaria tradicional. Inauguramos nossa escola neste ano que permanece no mesmo local : Av. Dr. Dantente Pazzanese , 120 na Vila Marina -SP.

Nos cursos que ministra há um conteúdo programático definido ?
Ao iniciar pensei em uma estrutura de curso guiada por interesses, armários, encaixeis, carpintaria. Com o tempo percebi que seria melhor fazer o que ninguém faz: deixar o aluno produzir em nosso espaço o que ele precisa e quer. O processo de aprendizagem se dá nesta produção. O curso é individualizado com base no que o aluno se propôs a fazer. Ele conta com nosso conhecimento e com a nossa estrutura (inclusive de maquinário) para desenvolver o móvel/peça e leva o que desenvolveu para casa.
Não existe data pré-definida para começar o curso porque ele é individualizado. O aluno entra em contato conosco e faz uma aula experimental, gostando já inicia.
Em breve iremos organizar turmas com duração de 1 dia aplicado a grupos. A diferença é que os objetos serão previamente definidos e todos farão a mesma coisa.

O que te motivou a criar o curso de marcenaria infantil ?
A minha própria história e a saudade do meu avô foram os fatores principais juntamente com o potencial pedagógico que a marcenaria tem. Na verdade o curso de marcenaria para uma criança ou para um adulto não muda quase nada. A madeira não abre porta de estudo apenas de uma faculdade, a madeira e a produção de móveis nos leva há uma “Universidade se conhecimentos”! Para trabalhar com marcenaria é preciso entender sobre :
Botânica – A diversidade das árvores, a resistência, cores, usos, cheiros, mecânica de cada espécie de madeira;
História – a sociedade – a madeira e seus usos, desenvolvimento das técnicas de trabalho pelas diferentes civilizações. História do design – o belo de madeira pelos milênios e últimos séculos;
Matemática / física – medidas, planos de corte, geometria, produção de gabaritos, descontos para encaixes das peças;
Técnico/ motor – trabalho com a madeira em si;
Em resumo a marcenaria gera uma gama de conhecimento sem fim tanto a adultos quanto para crianças.

Que mudanças gostaria de ver no setor daqui a 10 anos ?
Eu imagino que em 10 anos teremos ainda mais rapidez nas entregas de materiais já cortados para produção de armários. Creio também que aparecerão outros tipos de materiais e soluções construtivas além do MDF, MDP, Compensado, OSB.
O que eu gostaria é que estas soluções fossem cada vez mais sustentáveis, que o trabalho “real” da marcenaria voltasse a se popularizar e que as pessoas se interessassem cada vez mais em construir os seus próprios móveis. Nos países mais desenvolvidos a cultura do “maker” ou “faça você mesmo” é mais difundida. Isso está ligado a curiosidade, paixão, envolvimento com a inovação, tecnologia e ciência.
As pessoas não tem refletido sobre o processo de transformação das coisas: “- Vou fazer um móvel de madeira? que madeira? de que espécie? de onde vem? como se dá o corte, a secagem, o transporte, a venda? é legal? é sustentável? – Isso é o mais importante para mim! que o aluno tenha noção do processo e se apaixone pela técnica e perca o medo de fazer.
Sou construtivista por escolha filosófica, por isso não existe conteúdo definido e sim aprendizado que se constrói na prática laboral.

youtube, facebook, instagram : @stopalab
Site (em construção) : www.stopalab.com.br
E-mail: stopamarcenaria@gmail.com
Tel : (11) 98447-1501 (whatsapp)

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